Turismo em Minas Gerais | Descubra a arquitetura moderna e pós-moderna de Belo Horizonte

Foto por: Casa do Baile - Marcus Vinícius
Atualizado em: 16/02/2021

Descubra a arquitetura moderna e pós-moderna de Belo Horizonte

 

Já parou para reparar os diversos prédios de arquitetura arrojada em Belo Horizonte? Edificações de estilo modernista se impõem em dois importantes pontos turísticos da cidade.

 

O movimento Modernista influenciou a arte e a cultura no século 20. Na arquitetura, Belo Horizonte se tornou uma importante referência quando o assunto é o estilo modernista.

Isso porque a cidade abriga o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, primeiro bem cultural a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno, pelo IPHAN (1997), além do título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, fazendo parte da lista dos 13 locais no mundo com tamanha relevância.

Em homenagem à Semana de Arte Moderna, convidamos o pessoal do Arte In Forma (@arte.in.forma)  para falar sobre pontos turísticos na capital mineira de relevância para a arquitetura modernista.

 

Pontos turísticos de arquitetura modernista

Para começar a falar de modernismo ou mesmo modernidade em Belo Horizonte temos que destacar que no final do século 19 já havia um pensamento e um projeto, no que diz respeito a um desenho urbano que integrasse o homem a natureza.

Belo Horizonte foi projetada pelo engenheiro Aarão Reis, entre os anos de 1894 a 1897, e foi a primeira cidade brasileira planejada. Foram feitas avenidas em diagonal e quarteirões de dimensões regulares.

Entre a “paisagem construída” e a natural foi prevista uma área de transição que articulava os dois setores. O projeto da cidade foi inspirado no modelo das mais modernas cidades do mundo, como Paris e Washington.

O coração da cidade é a Praça da Liberdade, que hoje abriga o Circuito Liberdade, um importante circuito cultural brasileiro. É marcada por uma arquitetura entre o Neoclássico e o Historicismo, todavia há uma “conversa” singular, como no caso do Edifício Niemeyer, de 1955.

Este exemplar modernista de 12 andares, de uso residencial, é um marco arquitetônico, onde a organicidade das curvas surpreende o observador e cria para o usuário um conforto, pois os brisesoleils (elemento arquitetônico cuja tradução do francês é quebra-sol) horizontais filtram o sol e a luminosidade intensa. É a forma corroborando com a função.

 

Foto: Praça da Liberdade

Foto: Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade

Ainda nesta Praça, não podemos deixar de mencionar o edifício conhecido Rainha da Sucata”, por sua arquitetura composta de elementos geométricos em chapas metálica coloridas, a cara dos anos 80/90.

O prédio faz uma provocação com a arquitetura do seu entorno. Projeto dos arquitetos Eólo Maia e Sylvio de Podestá, o edifício é alvo de críticas, mas entendemos que ele representa um momento interessante, uma proposta ousada e carregada de significados que é o propósito da arquitetura dita pós-moderna.

 


​Foto: Rainha da Sucata

 

Retomando o modernismo, já havia sido confiado a Oscar Niemeyer a tarefa de projetar um conjunto de edifícios em torno do lago artificial da Pampulha, destinados a formarem um centro de uma futura área de lazer.

O Conjunto inclui os edifícios e jardins da Igreja São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha (originalmente um Cassino) Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, construídos quase simultaneamente entre 1942 e1943.

Nos edifícios do Cassino/Museu e do Iate Clube, a composição é baseada em um jogo geométrico de contrastes entre volumes planos e curvos. O interior do Cassino/Museu as rampas, balanços e o pé direito generoso, surpreendem o visitante muito mais que um pseudo luxo, proveniente dos materiais de acabamento.

 

Fotos: Antigo Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha

 

A elegante Casa do Baile possui, de um lado uma pureza geométrica, em contraste com uma marquise que flutua dialogando com as águas da lagoa.

Na Igreja de São Francisco de Assis, também conhecida como Igrejinha da Pampulha, seu desenho orgânico e massa opaca, leva o fiel a uma certa introspecção ao adentrar o espaço sagrado. Soma-se, ainda, um brilho histórico em uma das fachadas, que é revestida com painel de azulejos de Portinari.

 

Foto: Casa do Baile, Conjunto Arquitetônico da Pampulha

Foto: Igreja São Francisco de Assis, também conhecida como Igrejinha da Pampulha

 

Como observou Mario Pedrosa, talvez o conjunto da Pampulha fosse um capricho semelhante às extravagâncias dos príncipes do século 18.O programa do conjunto da Pampulha é um registro significativo de uma realização fundamentalmente nova, no qual a razão estabelece um total equilíbrio com a intuição.

Há, portanto, uma unidade nesta arquitetura brasileira por excelência, onde o barroco das cidades históricas mineiras é evocado nas curvas e contracurvas, numa dança silenciosa, assim como o neoclássico e o historicismo é resgatado, referenciado e questionado na arquitetura pós-modernista.

Além de Belo Horizonte, em Minas temos arquitetura modernista em cidades como Cataguases, Poços de Caldas e Juiz de Fora. Que tal conhecer tudo isso de perto?

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Sobre o Autor

Lourdes Luz

Arquiteta e Dra. em Artes Visuais. Experiência na área de Artes, atuando nos seguintes temas: arquitetura, história da arte, turismo cultural e design.

João Torres

Arquiteto com especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil. Professor de história da arte e arquitetura (Univ.Santa Úrsula e na Escola Nova).

Katia Souza

Arquiteta e Dra. em Artes Visuais. Professora da EBA-UFRJ. Áreas de atuação: história da arquitetura e artes, teoria da arquitetura, projetos de restauração.

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