Turismo em Minas Gerais | Caminhos de Rosa

Caminhos de Rosa

Foto por: Acervo Caminhos de Rosa - Nereu Jr. - Vereda São José
Atualizado em: 29/06/2021

Caminhos de Rosa

 

Sejam bem vindos ao sertão de Guimarães Rosa!

 

Essa rota turística é uma boa pedida pra quem se encantou com o universo rosiano. Estamos falando, claro, do nosso querido escritor João Guimarães Rosa. É uma proposta de imersão nesse universo construído nas obras literárias de Rosa.

Pronto para essa experiência?

 

Um pouco sobre o gênio Guimarães Rosa

 

Foto: João Guimarães Rosa.

 

Falar de Guimarães Rosa não é fácil. Confunde-se quem é Guimarães Rosa e sua obra. Por várias vezes eles se misturam falas próprias e dos personagens de suas obras.

Desde entrevistas, cada palavra, cada pontuação foi pensada, estudada diversas vezes antes de ser dita ou escrita, na vida dele não há acasos.

Muitas vezes escuto as pessoas dizendo que têm ídolos, eu até então nunca havia dito ter ídolo. Ao começar a pensar o que escrever para que soubessem quem era Guimarães Rosa e sobre sua principal obra, percebi que estava diante de um mito para mim, e que tenho sim um ídolo: João Guimarães Rosa, ou Joãozito, como era chamado pela família. 

O que me motiva é despertar nas pessoas o interesse pela cultura e seus bastidores, fazer com que entendam que um livro e seu autor são muito mais que meras palavras, e que Guimarães é um excelente exemplo de homem de caráter e competência, que vale a pena mergulhar em sua(s) história(s) – do autor e suas obras.

Se você, leitor, se permitir ir além, e deixar a obra te tocar, ai sim, terei alcançado o sucesso, pois você foi tocado, tocado por um sentimento, a expressão máxima da sensibilidade a uma leitura.

A vocês, leitores, nossa eterna gratidão.

 

Algumas curiosidades sobre Guimarães Rosa

  • Nascido em Cordisburgo, Minas Gerais, em 21 de junho de 1908;
  • Seu estilo é considerado único, trazendo o regionalismo em pauta, com uma rica narrativa singular;
  • Grande sertão: Veredas é considerada  sua principal obra, e é seu único romance;
  • Ganhador dos prêmios Filipe d'Oliveira (1946), Machado de Assis, Carmen Dolores Barbosa (1956), Paula Brito (1957), PEN Clube do Brasil (1963), 100 melhores livros de todos os tempos (The Guardian, 2002);
  • Guimarães Rosa acabou encabeçando a lista tríplice de melhores escritores da terceira geração modernista brasileiro, também composta por Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto;
  • Guimarães Rosa faleceu apenas três dias após tomar posse como membro da Academia Brasileira de Letras (16 de novembro de 1967 – 19 de novembro de 1967), aos 59 anos.

 

O que é Caminhos de Rosa

Já se perguntou onde fica o sertão tão falado por Guimarães Rosa? Em quais cenários ele se inspirou para escrever suas obras? Então, o autor mergulhou na cultura e cenários sertanejos de Minas Gerais.

Em 19 de maio de 1952, ele saiu acompanhando alguns vaqueiros que tocavam uma boiada, por dez dias e 250 km, saindo de Três Marias até a Fazenda São Francisco, em Araçai. Esta viagem foi cuidadosamente anotada em um diário, que mais tarde deu origem a um livro, A Boiada

Dessa jornada surgiram cenários de grande importância para a narrativa de cenas de suas obras e também sobre a cultura sertaneja mineira. O Caminhos de Rosa é uma rota turística que conecta importantes cenários que inspiraram a composição das obras de Rosa.

A nossa jornada, seja caminhando ou pedalando, buscamos refazer um pouco do que Guimarães viveu em maio de 1952, queremos reviver um pouco do que era.

Aqui estão todas as informações referentes ao percurso, clima, condições das estradas, níveis de dificuldade, e dicas trecho a trecho.

 

Informações sobre a rota de peregrinação:

 

Isso mostra que o percurso não tem subidas/descidas muito inclinadas, o que torna a caminhada um pouco mais leve neste sentido.

 

O tempo ajuda bastante a caminhada, porque a chance de chuva é baixa e o tempo ate às 10 horas ajuda bastante o caminhante. Já entre as 10 e 15 horas esquenta bastante.

Predominantemente o trajeto da peregrinação passa por estradas de terras, ficando o asfalto apenas nas regiões urbanas. Mesmo em rodovias, elas atendem apenas a trânsito local e tem pouquíssimo movimento, mas muitos moradores já tem ciência que sempre há caminhantes e são sempre muito solícitos.

Dividimos o percurso em vários trechos, detalhamos cada um, nos mínimos detalhes, para que você possa planejar melhor seu passeio.

 

A caminhada foi inspirada no Caminho da Boiada acompanhada por Rosa em 1952, porém, devido a algumas mudanças que ocorreram com o passar dos anos, uma proposta de promover um maior desenvolvimento socioeconômico da região e às necessidades dos participantes, adequamos alguns trechos do percurso.

Essa região é a única pelo qual Guimarães passou, única região documentada de que realmente ele esteve ali. Mas sua vida, suas obras ganharam tamanha notoriedade que todos pelo sertão tem algum causo para contar sobre sua passagem nos mais diversos lugares desse sertão mineiro.

 

Sobre os trechos da rota

 

Trecho 1 – Andrequicé

“12 hs. 00 –Vereda (com cursinho dágua, permanente) Vadeável. Vereda do São José. (...) 12 hs. 20’ – Costeamos bela larga vereda – a mais bela – com buritis grandes e meninos, verde e amarelo oiros. Nêles o vento zumbe. As folhas altas, erectas, dedeiam. Vários leques, cada um. “Sofrer”- amarelo e preto. Bando deles, nos buritis.”

João Guimarães Rosa - Trecho de anotações feitas pelo autor, em 1952, que deu origem ao livro A Boiada

 

A chegada em Andrequicé é pelos fundos, e já de cara conhece o Cine Manuelzão, a Capela de Nossa Senhora das Mercês e sua barraquinha e um pouco acima o Museu do Manuelzão. A capela passou recentemente por ampla restauração. E o museu abriga bens de uso pessoal do Manuelzão, chefe da comitiva que Guimarães acompanhou em 1952.

 

Foto: A Igreja Nossa Senhora das Mercês foi construida no século 18, tombada como Patrimônio Cultural Municipal em 2010. Completamente restaurada em 2018.

 

Foto: Pedal pelo caminho da Boiada. Museu Manuelzão, local onde Manuezão morou, lá em itens pessoais dos vaqueiros. Distrito de Andrequicé, Três Marias, MG - 2020.

 

Nesse trecho é marcado pelas estradas com piso de areia e muita poeira. A partir daqui começa o trecho de maior isolamento. O piso de areia deixa o percurso difícil, porém, a altimetria ajuda bastante. Podemos ver dois pontos importantes citados por Guimarães no diário da Boiada, o Ribeirão do Boi, no km 8 e a Vereda São José, próxima ao km 12,4.

 

Foto: Ribeirão do Boi, logo depois de Andrequicé, em todo o trajeto, este é o único córrego que tem água durante todo o período seco. Na imagem, alguns peregrinos molhando os rostos - 2019.

 

Foto: Caminhantes passando pela Vereda São José, logo depois de Andrequicé. Essa é a vereda que mais chamou a atenção do autor - ​2018.

 

Foto: Vereda São José em Andrequicé - 2019.

 

A vereda é de fácil identificação, é um pequeno córrego, de água corrente, rodeado por buritis, uma espécie de coqueiro nativo. Essa vereda é a que mais chamou a atenção de Guimarães Rosa em 1952, a estrada sobe contornando a vereda um pouco acima.

Em Andrequicé, os peregrinos dormem em casas separadas, mas se encontram a noite para o jantar. O café cada um toma na sua hospedaria, sempre feito com muito amor. Os moradores estão envolvidos com rodas de leitura, bordados, dança e dão um show a parte com as prosas.

Passaremos também a poucos metros da Fazenda Santa Catarina, local da 3ª noite de descanso da comitiva.

 

Trecho 2 – Buritizinho

“Mas nesse entremeio, baixado o lançante, che gavam a um ombroso, sob muralha, e passado ao fresco por um riachinho: eis, eis. Um regato fluifim, que as pedras olham. Mas que mais adiante levava muito sol. Do calcário corroído subia e se desentortava velha Gameleira, imensa como um capão do mato. Espaçados, no chão, havia cardos, bromélias, urtigas. Do mundo da Gameleira, vez que outra se ouvia um triço de passarinho.”

João Guimarães Rosa Trecho de O recado do Morro, do livro Urubùquaquá no Pinhém (Corpo de Baile)

 

Foto: Fim de tarde em Buritizinho - Na imagem a Capela ao centro, as barraquinhas a esquerda e o cemitério a direita.

 

A chegada em Buritizinho é sempre motivo de muita expectativa, os peregrinos chegam cansados, e esperam uma grande recepção, como acontece no dia anterior, mas este não é o legado que Buritizinho pretende passar.

Com apenas uma capela, Capela de São Geraldo, o cemitério, e suas barraquinhas. Senhor Tião, cuidador da Capela e único morador ha mais de 40 anos é o único a nos receber. Um lugar que fica a 40 km de distância de qualquer centro urbano, tudo em estradas de terras. Um dos poucos lugares onde ainda não há cobertura telefônica pelo caminho. Buritizinho se mostra parada no tempo.

Lá os peregrinos dormem dentro da Capela, todos juntos. Não é um lugar de luxos. Lá chuveiro de água quente pode ser um luxo a depender da luz. Aproxima-se bem do que foi a viagem dos vaqueiros, é um lugar bucólico, é rudimentar, ao mesmo tempo, simples e aconchegante. Sr. Tião, acostumado com viajantes, sempre tem muitas histórias para contar.

 O cemitério do lugar, criado na década de 50, ainda guarda resquícios daquela época, pois é separado apenas em 4 partes, sendo: amasiados, os solteiros, casados e crianças.

 

Foto: Por do sol em Buritizinho, Trecho de Morro da Garça - 2018.

 

Trecho 3 – Morro da Garça

“E, indo eles pelo caminho, duradamente se avistava o Morro da Garça, sobressainte. O qual comentaram, Pedro Orósio bem sabia dele, de ouvir o que diziam os boiadeiros. Esses, que tocavam com boiadas do sertão, vinham do rumo da Pirapora, contavam – que, por dias e dias, caceteava enxergar aquele Morro: que sempre dava ar de estar num mesmo lugar, sem se aluir, parecia que a viagem não progredia de render, a presença igual do Morro era o que mais cansava.”

 João Guimarães Rosa, “O Recado do Morro” (em Corpo de Baile).

 

Foto: Peregrinos rumo ao Morro da Garça, Morro da Garça - 2019.

 

A recepção em Morro da Garça é logo na entrada da cidade, na Pousada Sol e Lua. Dona Rosa, a proprietária, que divide o tempo entre o hotel e a profissão de professora na escola do município.

Os afazeres do hotel são divididos com seus filhos e um chefe de cozinha renomado em Belo Horizonte. De frente a Casa da Cultura, um importante local, onde são oferecidas oficinas culturais frequentemente, e centro cultural do município.

Sua arquitetura foi pensada para valorizar o Morro, onde toda a armação do telhado segue o contorno do morro, e a cangalha dos carros de boi, uma tradição local.

À noite assistimos uma apresentação cultural local, quase sempre, com os contadores de histórias. Os contadores de histórias são jovens, que se dedicam a decorar e entender trechos da obra Roseana, e os recitam repletos de carinho e sentimentos, um espetáculo fabuloso e um projeto fantástico que muda a vidas das crianças para sempre.

A caminhada no dia seguinte começa cedo, às 4 da manhã, pois às seis é servido um café no alto do Morro, para ver o sol nascer. É uma caminhada de 7,3 km, e o visual de tirar o fôlego, pois o Morro é soberano nas planícies do sertão! De lá é possível avistar longe, Serra do Cipó, Serra dos Boiadeiros, onde fica Buritizinho, Cordisburgo....

 

Foto: Carroção de boi no trecho Morro da Garça. Ele ia no sentido contrário dos caminhantes - 2019.

 

Depois do café, caminha-se mais 10 km até a Fazenda Recanto do Morro, onde ficam hospedados em uma típica fazenda mineira, com todo o seu aconchego, carinho e culinária típica. Não é de muito luxo, mas de um carinho e uma receptividade encantadoras.

No caminho da fazenda passamos pela comunidade do Vista Alegre, uma comunidade quilombola antiga, que lá abriga a antiga Capela de São José, hoje toda restaurada.

 

Foto: Ciclista na competição de bike no trecho Morro da Garça, no pôr do Sol - 2018.

 

Trecho 4 – Recanto do Morro

“-Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucaia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde um criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda parte.”

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: veredas

 

Foto: Cabeça de boi, símbolo das ilustrações de Poty Lazzarotto, artista responsável pelas ilustrações de capa de Sagarana. O símbolo está sempre presente nas imagens do sertão, do sertanejo, representa a seca do cerrado - 2018.

 

Em Curvelo, ficamos hospedados ao fundo do Santuário de São Geraldo. O padre tem grande apreço pelos peregrinos, e sempre se dispõe a recebê-los, sempre abrindo a igreja.

A recepção em Curvelo é na casa da cidade da Fazenda Recanto do Morro, bem ao fundo do Santuário, literalmente. É um dia de caminhada dura, é um percurso relativamente plano e bem sombreado, porém, o cansaço acumulado dos outros dias, e a longa distância começam a pesar as pernas. O que alivia bem é o carinho da família que nos recebe.

À noite normalmente o jantar é em uma pizzaria/restaurante em frente ao Santuário.

 

 

Trecho 5 – Fazenda Paulista

“Depois passamos na fazenda do Juvenal, na Fazenda Ventania, Riacho da Areia, que era de um paulista. O Rosa jantou bem. Lá tem até hoje o prato em que o Rosa comeu. Você pede pra Dona Antonieta, mulher do Juvenal, e ela tem o prato, o garfo, a colher, tem a cama, tudo guardado. E o Rosa ficou satisfeito demais. Comeu, comeu.

Juvenal tinha um filho chamado Geraldo, que mora em Mascarenhas (pequeno distrito da região de Curvelo), tava doente, de cama mesmo. E aí o Rosa falou: “Deixa eu ver ele”; e falou: “Ele tá com febre, ele tá com sarampo. Você pega umas folhas de laranja e faz um chá”. O Rosa olhou no bolso da camisa, tinha um Melhoral e deu pra ele. Tomou, em dois dias cortou a febre e o rapaz amanheceu bom. O sarampo saiu. Chá de folha de laranjeira. Isso tudo tá escrito.”

Zito – Entrevista a Revista Cult, 17 de novembro de 2017.

 

É sem dúvida o dia de caminhada mais lindo da travessia, repleto de cerrado, muita mata, e muito isolamento, é uma estrada que não há fluxo de carros. Porém, é tido como o dia mais duro da caminhada, pois além de ser o mais longo, ele quase não tem sombras, e suas longas planícies, dão a sensação de que o ali nunca chega.

Além disso, caminha-se muito para sair da cidade, uns 2-3 km, mas depois, é uma caminhada serena, longa e bela.

 

Foto: Um pouco da cozinha mineira experimentada ao longo da jornada. Foto a esquerda: Café mineiro, feito nas primeiras horas do dia na Fazenda Paulista, sede da Caminhos de Rosa - 2018/ Foto a direita: Pão de queijo caseiro, receita feita pelos anfitriões de Andrequicé - 2019.

 

A recepção se dá na Fazenda Paulista, de propriedade do idealizador do Caminho, lá todos são recebidos em uma sede centenária, com seus 120 anos, toda restaurada. Ao chegar, os peregrinos são recebidos com um café e biscoitos regionais. A piscina fica liberada para uma relaxada depois de dias intensos de caminhadas. Jantar mais tarde e uma sopa de legumes antes de dormir.

Na noite fria da fazenda todos se encontram na cozinha para uma boa conversa a beira do fogão a lenha.

 

Foto: Fogão à lenha da Fazenda Paulista com tudo pronto para receber os peregrinos, em Cordisburgo - 2019. 

 

Também há um bate papo sobre o início do caminho, o porquê do Caminho e como ele tem evoluído, um bate papo na varanda, como se fazia antigamente.

O café é servido cedo, normalmente, uma manhã fria, às vezes gelada, alcançando seus 7º C, típico das antigas fazendas que ficavam a beira de córregos. E, antes da caminhada, tiramos a tradicional foto do alpendre da casa. E ali nos despedimos da fazenda, com uma culinária da tradicional casa mineira o fogão quase sempre aceso e de comida farta!

A casa sede é de adobe e que já rompeu seu primeiro século de existência, é onde os peregrinos são recebidos. Foi toda restaurada em 2019, para dar mais conforto aos convidados.

 

Foto: Nascer do sol no trecho Fazenda Paulista - 2019.

 

Trecho 6 – Cordisburgo

“E, mais do que tudo, a Gruta do Maquiné tão inesperada de grande, com seus salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos na luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja.”

João Guimarães Rosa

 

Um trecho rápido e um dos mais curtos do caminho, com seus 21, 7 km, e um trecho bem plano e bastante sombreado até Cordisburgo. Fica à escolha do grupo, terminar a caminhada percorrendo a linha férrea.

A chegada é na praça Miguilins, onde tem o Portal Grande Sertão, local onde os peregrinos se reúnem para fotografias. A praça tem como principal atrativos estátuas de cobre, feitas em tamanho real dos principais personagens da viagem da Boiada.

Cordisburgo é uma cidade pequena, e próximo ao pouso, tem muitos bares e trailers, que os peregrinos se reúnem para uma cerveja ao final do dia. Não podemos deixar de falar que lá também tem a gruta do Maquiné, importante ponto turístico e ponto de partida das descobertas de Peter Lund.

 

Foto: Gruta do Maquiné, Cordisburgo - 2019.

 

Foto: Visita dos peregrinos ao fim da caminhada à Gruta do Maquiné - 2019.

 

Outro ponto importante da cultura local é a loja do Brasinha, onde ele sempre aguarda os peregrinos, em sua loja, onde nada se vende, e os objetos contam histórias, o Projeto Recordâncias. Brasinha, hoje, é considerado o pilar da cultura Roseana, um grande contador de história e profundo conhecedor da vida e obra de Guimarães Rosa e dos sertanejos. Um cara que com certeza vale 5 minutos de prosa.

 

Foto: Quadro da Loja do Brasinha. Localizado em Cordisburgo, a loja do Brasinha abriga o projeto Recordança, de objetos que contam histórias! Ponto de parada obrigatório de quem passa em Cordisburgo - 2019.

Não podemos deixar de falar também do Museu Casa Guimarães Rosa, casa onde ele passou sua infância, que hoje abriga o museu. Como os peregrinos chegam cedo, e tudo é muito perto, a visitação pode ser feita com tranquilidade.

 

Foto: Museu Guimarães Rosa, na porta do que era a "venda" - Cordisburgo - 2018.

 

Este é o fim da nossa jornada.

Que tal vivenciar tudo isso de perto, um momento de auto conhecimento e de saborear o que foi a jornada de Guimarães Rosa pelo sertão mineiro?

Confira aqui as datas de saídas já agendadas no site do projeto ou, se preferir, cheque a melhor data para a sua caminhada pelos Caminhos de Rosa com os organizadores.

 

Conheça mais sobre o Museu Casa Guimarães Rosa clicando aqui, e sobre as inspirações de Rosa clicando aqui.

 

Sobre o Autor

André Ferreira

André Ferreira, ou Zumzum, é o idealizador da Caminhos de Rosa, uma empresa que surgiu da união pelo esporte, o sertão e o escritor Guimarães...

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